Gerenciamento de produtos

O passado, o presente e o futuro do amigo de longa data do método ágil: o gerenciamento de produtos

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O que é gerenciamento de produto?

O gerenciamento de produto é uma função organizacional que guia cada etapa do ciclo de vida de um produto: do desenvolvimento ao posicionamento e à precificação, com foco no produto e nos clientes acima de tudo. Para criar o melhor produto possível, os gerentes de produto falam em nome dos clientes na organização e garantem que a voz do mercado seja ouvida e entendida.

Por priorizarem o cliente, as equipes de produto costumam lançar produtos com melhor design e maior desempenho. Na área de tecnologia, em que produtos consolidados logo são trocados por soluções mais novas e melhores, é mais necessário do que nunca ter uma compreensão profunda dos clientes, bem como da capacidade de criar soluções personalizadas para eles. E é aí que entra o gerenciamento de produto.

Artigos sobre gerenciamento de produto

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Como membro de uma equipe de produto, trabalho todos os dias com gerentes de produto e já entrevistei vários outros sobre as funções e responsabilidades deles. Além do conselho aqui, aprendi que não tem como aplicar os princípios do gerenciamento de produtos. Cada um tem as próprias metas e desafios que exigem uma abordagem exclusiva e personalizada para o gerenciamento de produtos. Martin Eriksson descreveu bem o gerenciamento de produtos como a intersecção de negócios, experiência do usuário e tecnologia.

Martin Eriksson has famously described product management as the intersection of business, user experience, and technology.

 
  • Negócios: o gerenciamento de produtos ajuda as equipes a atingirem os objetivos de negócios ao superar a lacuna de comunicação entre desenvolvimento, design, clientes e negócios.

  • Experiência do usuário: o gerenciamento de produto mira na experiência do usuário e representa o cliente dentro da organização. Uma ótima experiência de usuário é como essa atenção se manifesta.

  • Tecnologia: o gerenciamento de produtos ocorre, no dia a dia, no departamento de engenharia. Ter uma compreensão completa de ciência da computação é primordial.

Comunicação, marketing e empatia são três habilidades complementares necessárias a todo gerente de produto.

Um pouco de história

Um líder de produto deve ser tão inspirador quanto prático, e comunicar é a ferramenta de escolha. Com entrevistas de clientes e pesquisas de mercado, os gerentes de produtos aprendem mais sobre o cliente do que até mesmo os vendedores. Eles usam suas capacidades de comunicação para compartilhar a perspectiva com toda a empresa.

Marketing

O foco no cliente do gerenciamento de produtos também mostra os esforços de marketing. Em vez de seguir a marca e usar técnicas estabelecidas, as equipes de gerenciamento de produtos (muitas vezes incluindo os gerentes de marketing de produtos) integram a linguagem dos clientes na mensagem de seu produto. Além disso, o conhecimento do cenário competitivo e a capacidade de se destacar e se diferenciar proporcionam vantagens a longo prazo. Entender conceitos básicos de posicionamento e marketing ajudará os gerentes de produtos a fornecer produtos que as pessoas possam encontrar e se relacionar.

Empatia

Por fim, o gerenciamento de produto tem a ver com empatia — empatia pelos desenvolvedores e como eles trabalham, empatia pelo cliente e pelas dificuldades dele, até mesmo empatia pelo gerenciamento superior, que concilia metas agressivas e cronogramas impossíveis. Essa habilidade de empatia, desenvolvida por meio de imersão e profundo entendimento de cada grupo e parte interessada, separa as equipes de produto que conseguem unir a organização e as metas comuns das equipes que não conseguem fazer isso.  

Martin Eriksson has famously described product management as the intersection of business, user experience, and technology.

 

A história do gerenciamento de produtos

O gerenciamento de produto surgiu durante a Grande Depressão, quando um comerciante de 27 anos propôs a ideia de um "homem de marcas", um empregado que gerencia um produto específico, em vez de exercer um cargo de negócios tradicional. Desde a década de 1930, o sucesso permanente dessa função levou ao crescimento das organizações de produto em diversas indústrias e regiões.

  • 1931: Neil H. McElroy, gerente de marketing na Proctor & Gamble, escreve um memorando de 300 páginas sobre a necessidade de "homens de marcas" que gerenciem produtos específicos.
  • Fim dos anos 1930: McElroy se torna conselheiro da Stanford University, onde influencia dois jovens visionários, Bill Hewlett e David Packard.
  • 1943–1993: a Hewlett-Packard mantém 50 anos com 20% de crescimento anual com a implementação da filosofia do "homem de marcas" na empresa.
  • Fim dos anos 1940: a Toyota desenvolve os princípios da produção Just in Time (JIT), depois adotada pela Hewlett-Packard.
  • 1953: a Toyota desenvolve o método Kanban.
  • Anos 1970: as empresas de tecnologia dos EUA começam a desenvolver processos leves, em oposição aos processos pesados surgidos nas indústrias de manufatura.
  • Anos 1980: os processos ágeis em desenvolvimento, combinados com a maior aceitação dos cargos de "gerenciamento de marca", se consolidam em várias empresas de tecnologia e software.
  • 2001: o Manifesto Ágil é escrito, o que, em grande parte, acabou com o isolamento de departamentos e com processos desatualizados, dando espaço a um cargo unificado de gerenciamento de produto.
A história do gerenciamento de produtos

É difícil minimizar a função de desenvolvimento de software ágil no crescimento do gerenciamento de produto. No Manifesto Ágil, escrito em 2001, há 12 princípios, e um deles diz: "Empresários e desenvolvedores devem trabalhar juntos todos os dias em todo o projeto". Os gerentes de produto chegaram para cumprir essa função e, com o crescimento do método ágil, veio a ascensão do gerenciamento de produto. Hoje, a demanda das empresas de tecnologia por "pessoas de produto" capacitadas levou a uma explosão de novos programas em universidades e faculdades de codificação, o que vai acelerar ainda mais esse crescimento.

Funções do gerenciamento de produto: o gerente de produto e além

Em alguns casos, o gerenciamento de produto para um produto ou uma família de produtos é feito por um único gerente de produto. Essa pessoa deve ser muito proficiente em pelo menos uma das áreas relacionadas ao gerenciamento de produto, além de ter paixão ou fluência nas outras. Muitas vezes, isso se manifesta em um dos dois casos: um comerciante experiente com paixão por uma experiência incrível de usuário, com conhecimento da linguagem técnica, ou um líder de desenvolvimento técnico que entenda o produto tão bem que possa começar a direcionar a criação. Essas pessoas são tão raras e valiosas que o gerenciamento de produto agora comanda os salários mais altos em toda a área de tecnologia.  

Como é muito difícil encontrar pessoas fluentes nas duas áreas, com frequência o gerenciamento de produto nasce de um pequeno grupo de especialistas. Na Atlassian, a gente formou um trio, em que os líderes de desenvolvimento, design e negócios trabalham juntos para conduzir a estratégia de produto. No apoio a esse trio estão gerentes de produto (PMs), gerentes de marketing de produto (PMMs) e muitos dos cargos abaixo:

  • Executivo de produto (CPO): conduz a função do produto no nível organizacional. Assegura que PMs e equipes capacitadas cuidem dos produtos.
  • Proprietário de produto (PO): assume um papel mais ativo no desenvolvimento do produto ao gerenciar o backlog da equipe de engenharia e a comunicação dela com outras partes interessadas.
  • Gerente de marketing de produto: aprimora a habilidade de equipes de produto para atingir os clientes e aprender com eles por meio de insights e campanhas de marketing moldadas conforme o produto.
  • Pesquisador de experiência do usuário (UX): a UX é uma das responsabilidades fundamentais de um PM, mas um pesquisador de UX com dedicação exclusiva, que estuda o comportamento do usuário e faz recomendações sobre usabilidade, é um grande acréscimo para a equipe de produto.  

Como não há uma rota clara para o gerenciamento de produtos, muitos candidatos ansiosos priorizam as principais competências do cargo. Por exemplo, estudei "Gerenciamento de informações", um novo curso da University of Colorado, Boulder. Fiz disciplinas de gerenciamento de negócios e ciência de computação para saber falar as duas "línguas" e contornar a lacuna de comunicação desses dois mundos. Análise de dados (SQL, em específico), gerenciamento de projeto e estratégia são habilidades similares que devem ser consideradas. Essas habilidades de gerenciamento de produto são bastante comercializadas por faculdades de codificação, universidades e eventos de desenvolvimento profissional no mundo todo, provando que o gerenciamento de produto veio para ficar.

O que é o gerenciamento de projeto ágil?

No desenvolvimento de software ágil, gerenciamento de produto tem a ver com orientar um produto por meio de múltiplas iterações. Como os programas ágeis são mais fluidos do que os métodos tradicionais, o gerenciamento de produto ágil é uma abordagem mais flexível.

Um dos principais conceitos do método ágil é que o escopo de um projeto é fluido, embora os recursos permaneçam os mesmos. Assim, no gerenciamento de produto ágil, a equipe passa menos tempo definindo o produto com antecedência e está aberta a alterações ao longo do caminho. O produto une uma iteração por vez, permitindo que os dados do cliente e as retrospectivas da equipe conduzam a próxima etapa. Assim, o gerenciamento de produto ágil tem mais a ver com orientar a equipe de desenvolvimento por meio de ciclos, mantendo a visão do produto e integrando o insight do cliente ao longo do caminho.

Os gerentes de produto ágeis são mais integrados nas equipes de tecnologia do que nas equipes de negócios. Na Atlassian, os PMs trabalham ao lado da organização de engenharia e, acima de tudo, falam em nome das equipes de desenvolvimento. Isso é fundamental para a abordagem ágil da Atlassian. Os PMs têm o apoio das equipes de gerenciamento e dos PMMs (gerentes de marketing de produto) para complementar o rigor do produto e fundamentar as práticas nos dados de mercado e nos objetivos de negócios. Essa organização funciona bem para a Atlassian, mas não serve para todas as situações. Muitas equipes podem ter êxito fazendo o contrário.

Previsão do futuro do gerenciamento de produtos

O gerenciamento de produto é uma busca multidisciplinar que é tão fugaz quanto simples. Os gerentes de produto geram empatia pelo cliente e comunicam as necessidades dele à organização mais ampla. Eles trabalham junto com as equipes de desenvolvimento, mas também precisam de aprovação dos setores de marketing, design e gerenciamento. O ponto especial é a capacidade de entender e se comunicar com muitas pessoas que falam línguas diferentes.

Minha esperança para o futuro do gerenciamento de produtos é que haja menos gerentes de produtos e que eles sejam melhores em funções que desempenham. Logo que o gerenciamento de produto ágil virou moda, de repente todos os produtos precisam de um PM, e todo PM precisava de um PO, que precisava de um PMM, e todos eram gerenciados por um CPO. Essa proliferação criou cargos sobrepostos e adicionou mais processos do que progresso.

Na realidade, o futuro do gerenciamento de produto depende dos gerentes de produtos. Você pode usar esses artigos para ter alguma inspiração, mas a gente espera que você faça essas aulas e tire o melhor proveito delas. Avante!

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Max Rehkopf
Max Rehkopf

Digo que sou o "muppet do caos” e, por isso, uso as práticas ágeis e os princípios lean para trazer ordem ao dia a dia. Fico muito feliz em compartilhar essas lições com outras pessoas por meio dos diversos artigos, palestras e vídeos que faço para a Atlassian